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Indaiatuba, 12 de Agosto de 2020
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Publicado em 20/07/2020 às 09:33:00
Por: Dr. Gabriel C. Alvarenga - Diretor de Defesa Profissional
Categoria: Notícia em Destaque
Telemedicina: Pretensões legítimas?


Já há algum tempo, o assédio pela implantação da telemedicina vem se dando sob a principal alegação de que populações em regiões distantes são prejudicadas pela assimetria na distribuição de médicos pelo país. Com a pandemia, o assédio se intensificou e a principal razão alegada pelos seus defensores seria proporcionar uma solução ao problema causado pelo distanciamento social ao atendimento presencial. Hoje, empresas de toda sorte se habilitam.
Muito antes da pandemia, a telemedicina compromissada com processos médicos específicos e comprometidos com preceitos éticos profissionais, já existia sem alardes. Alguns poucos anos atrás, o assunto emergiu e tomou vulto em meio ao debate sobre a desequilibrada distribuição demográfica de profissionais de saúde pelo país.
O debate atual então ficou reduzido à ideia e ao projeto de promover atendimento diverso do presencial que pudesse integrar o portifólio de empresas que vislumbram nela uma oportunidade para negócios e pelo seu alto potencial de retorno.
A medicina por outro lado sempre foi e ainda é uma atividade cujo alicerce é ouvir e tocar. As informações obtidas e registradas na relação médico-paciente têm a garantia do sigilo protegido pelo código de ética médica e em lei. Quantos diagnósticos foram baseados na palidez mucocutânea, no hálito, no andar, na percussão lombar, patelar, no aspecto ungueal, num desenho venoso, numa pulsação jugular, na impressão extraída de um “jeitão”...
O desconforto para o médico neste debate se deve a tentativa de transpor esta relação numa plataforma digital que introduz a distância e um elemento intermediário onde fatores e atores são relativizados, proporcionando sérios riscos de desencontros num mundo cada vez mais de massificação, de cobiças e de judicialização.
Na medicina do mundo moderno, a precificação da consulta introduziu o fator tempo na relação de consulta e a perseguição do lucro acabou em massificação. Essa, por sua vez pode nos levar de modo tentador ao uso de ferramentas digitais para ganho de escala, sem verdadeiramente mirar e resolver o problema da desigualdade de acesso. É justamente essa questão de escala que se põe nos dias atuais, favorecida pelo contexto tecnológico disruptivo que hoje não poupa nenhum setor da sociedade e nenhuma profissão. A questão é polêmica!
Uns não conseguem oferecer alternativa melhor ou igualmente eficiente no distanciamento do avaliador, mas conseguem beliscar algumas áreas da atuação médica e agregam uma pletora de facilidades securizadas pelo certificado digital. Outros vêm sofrendo um incansável assédio de forte viés econômico e grande potencial de banalização, de depreciação e de judicialização, quando seus mentores se esmeram em esquivar-se de qualquer redação jurídica e normativa que os responsabilize de forma solidária.
A liberação do Conselho Federal de Medicina para esta telemedicina, ainda que provisoriamente, revela a forte pressão sofrida por parte de setores poderosos e influentes. Com a visibilidade proporcionada a esta telemedicina dada pela pandemia, definitivamente, nada permanecerá como antes. Mais do que nunca o médico precisa ficar atento e atualizado para não incorrer em breve em obsolescência, otimisticamente falando.