× Home Diretoria APM News Eventos e Congressos Classificados Clube de Benefícios Área do Associado Associe-se Publicidade Localização Fale Conosco
Indaiatuba, 21 de Setembro de 2019
Dúvidas? Entre em contato: (19) 3875-7200
Publicado em 26/07/2019 às 13:11:37
Por: Não Informado - Não informado
Categoria: Notícia em Destaque
Julho Amarelo – Hepatites Virais


As hepatites possuem causas múltiplas como autoimunes, genéticas, metabólicas, alcoólica, tóxica, medicamentosa, bacterianas, virais. Segundo a OMS, hepatites virais causam 1,4 milhões de mortes por ano, sendo 650 mil pela hepatite B. É uma doença de notificação compulsória e a principal causa de hepatopatia.
Os vírus hepatotrópicos clássicos são os A, B, C, D e E; porém outros vírus podem causar hepatite como o Epstein- Barr, Herpes Simples Vírus e o Citomegalovírus. As hepatites agudas podem ser assintomáticas ou apresentar sintomas inespecíficos; já as crônicas geralmente são assintomáticas e quando se manifestam por sintomas já há grau avançado de lesão (sinais de cirrose, hepatoesplenomegalia).
Hepatite A (RNA vírus): A transmissão é oral-fecal, principalmente em creches, escolas e domicílios, além de ser endêmica em locais com precárias condições de higiene. Transmissão parenteral é raríssima. No Brasil os maiores acometimentos são nas regiões Norte e Nordeste. O período de incubação é de 15-45 dias e a doença não cronifica, é apenas aguda. O período prodrômico é caracterizado por fadiga, anorexia, náuseas e dor abdominal e menos comum diarreia, febre, cefaleia e mialgia. A forma anictérica é a mais comum, mas pode ocorrer icterícia 1 a 2 semanas após o período prodrômico. A forma fulminante é mais comum em hepatopatas crônicos e cursa com hepatomegalia dolorosa, esplenomegalia e aumento das transaminases. A profilaxia é dada por saneamento básico e higiene e a vacina é feita de vírus vivo atenuado com a 1ª dose ao nascer e 2ª dose entre 6 e 12 meses; recomenda-se vacinação para regiões endêmicas, creches, prisões, pacientes HIV+, usuários de drogas. Não existe tratamento específico, apenas sintomático e restringir o uso de álcool e fármacos de metabolização hepática são fundamentais.

Hepatite E (RNA vírus): A transmissão é oral-fecal e 20 milhões são infectados por ano. Predomina na faixa etária de 14-40 anos. Apresenta alta mortalidade em gestantes (principalmente no 3º trimestre). A incubação é de 4-5 semanas. O quadro clínico é inespecífico e pode cronificar em alguns casos como em imunossuprimidos, transplantados, HIV+ e oncológicos. A prevenção também é realizada com higiene e saneamento básico. A vacina foi desenvolvida na China, mas ainda não disponível para uso.

Hepatite B (DNA vírus): O HBV permanece infectante por cerca de 7 dias no ambiente, o contágio se dá através de sangue e secreções (transmissão: parenteral, sexual e vertical - se a mãe tem uma alta carga viral há 90% de chance de infecção vertical). O tempo de incubação é de 30-180 dias. No Brasil temos 2 milhões de portadores crônicos e 90% das pessoas infectadas evoluem para cura espontânea. As manifestações clínicas inespecíficas são as mais comuns, mas também podem ocorrer artralgia, artrite, mialgia, exantemas cutâneos, a icterícia ocorre em 10% dos casos em menores de 5 anos e 30-50% em maiores de 5 anos. As manifestações extra-hepáticas são raras. O tratamento pode ser com tenofovir, interferon (tempo de uso limitado) e lamivudina; no caso de insuficiência hepática aguda considerar transplante. Quando crônica, é indicada a biópsia para analisar a fibrose, pois a complicação mais temida é o carcinoma hepatocelular (mesmo na ausência de cirrose hepática).

Hepatite D: O vírus da hepatite B participa da estruturação do vírus D. A hepatite D ocorre apenas entre pessoas infectadas pelo vírus da hepatite B. A transmissão exige o contato com sangue infectado. As populações de risco incluem usuários de drogas intravenosas e homens que fazem sexo com homens. No Brasil predomina na Amazônia Ocidental. Superinfecção ocorre em pacientes que estão previamente infectados pelo HBV e possui alta chance de cronificar. Na coinfecção o paciente recebe simultaneamente vírus D e B e possui maior risco de forma fulminante. O diagnóstico padrão-ouro é detectando HDV em biópsia de tecido hepático e o tratamento é com interferon.

Hepatite C (RNA vírus): É a maior causa de cirrose no Brasil e a mais comum indicação de transplante (alta taxa de mutação). 80% de chance de cronificação. A incubação é de 2-24 semanas. A transmissão pode ser via parenteral, vertical, hemodiálise, perfurocor tantes, transfusão de sangue antes dos anos 90, sexual (rara). A infecção aguda geralmente é assintomática (o tratamento é para prevenir a forma crônica). A recomendação da AMB é solicitar sorologia de hepatite C para todos ≥ 40 anos. O tratamento leva em consideração o grau de fibrose. Desde 2015 usa-se daclastavir, sofosbuvir, simeprevir (dispensam o uso de interferon) – taxa de cura de 90% mas são medicamentos caros. O tratamento na fase aguda tem como objetivo reduzir o risco de progressão para a forma crônica. A detecção precoce é uma importante medida de controle do HCV.